Periodicidade: Diária - Director: Armando Alves - 14/11/2018.
 
 
IMAGENS E CRÓNICA DA CORRIDA NAS CALDAS DA RAINHA
IMAGENS E CRÓNICA DA CORRIDA NAS CALDAS DA RAINHA
15 de Outubro de 2018


A presente obra está protegida ao abrigo do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos.
A utilização não autorizada pode configurar a prática de um crime de usurpação ou contrafação (arto.s 195o e
196o do CDADC) para além de incorrer em irresponsabilidade civil conducente a um pedido de
indemnização.
© 2018, Armando Alves



Alguns bons destaques

Decorreu este Domingo, nas Caldas da Rainha, a última corrida desta temporada na cidade. Um bom cartel anunciado, composto por sete cavaleiros profissionais e um amador, fez com que, apesar do furacão Leslie, as pessoas saíssem de casa para irem aos toiros, enchendo ¾ desta praça.

Repartiram cartel, Luís Rouxinol, Ana Baptista, Manuel Telles Bastos, Marcelo Mendes, Luís Rouxinol Jr., David Gomes e António Telles (filho). Para honrar as jaquetas de ramagens, estiveram em praça os Grupos de Forcados Amadores de Coruche e das Caldas Da Rainha.

Entraram em praça três toiros da ganadaria Prudêncio, três da ganadaria Charrua e um novilho da Ganadaria Passanha.

A tarde começou com Luís Rouxinol frente ao toiro mais manso da corrida, um Prudêncio de 510 kg que saiu muito calmo dos curros, rapidamente ignorou os capotes para virar a atenção para o cavalo, mas também se desinteressou. Apesar do touro não ter colaborado muito, Rouxinol conseguiu uma boa lide. Iniciou com três ferros compridos muito bons, para depois seguir para os curtos montado no Douro. Cravou bons curtos em sorte à tira com destaque para o terceiro que terminou com um “caracoleio” à volta do touro a agarrar os seus cornos. Terminou a lide com um bom palmito e um par de bandarilhas muito bom, mas apenas conseguido à segunda tentativa. Luís Rouxinol teve direito a música durante a sua lide, mas grande parte decorreu ao som dos protestos anti taurinos vindos do exterior da praça. Para a pega deste primeiro exemplar, pelo GFA de Coruche, entrou em praça o forcado António Tomás, que consumou a pega ao primeiro intento e esteve muito bem. Rouxinol e António tiveram direito a volta à arena.

Ana Batista, com a classe que já habituou os aficionados portugueses, esteve frente a um Prudêncio de 580kg, bravo e com trapio, alto e musculado. Toureou toda a lide com o cavalo Chinelito. Esteve bem nos ferros compridos, apesar de não ter conseguido partir o primeiro. Destaque para o terceiro e quarto ferros, muito bem cravados e no sítio certo. A cavaleira decidiu cravar um último ferro a pedido do público, mas não correu muito bem, pois este ferro acabou por resultar um pouco atrasado. Para o segundo toiro da tarde, pelo GFA de Caldas Da Rainha, saiu o forcado António Cunha, que pegou o toiro à segunda tentativa depois de ter desmanchado a pega duas vezes, o toiro não investia. Ana Batista e António Cunha deram a volta à arena.

Para terminar a primeira parte, Manuel Telles Bastos entrou na arena frente a um Prudêncio de 540 kg, alto e com trapio, bravo e que colaborou com o toureiro sem dar muitos problemas. Iniciou a sua lide muito bem nos ferros compridos, com destaque para o último comprido. Continuou a demonstrar o seu valor nos ferros curtos com o terceiro muito bom e o quarto brilhante. A pedido do público, cravou um último ferro muito bom. Uma lide clássica e ritmada que teve direito a música. Para esta pega voltou à arena o GFA de Coruche, com Roberto Graça na cara. O forcado apenas conseguiu consumar a pega na segunda tentativa, mas conseguiu uma boa pega. Telles Bastos e Roberto Graça deram a volta à arena.

A segunda parte desta corrida iniciar-se-ia com Marcelo Mendes, frente a um Charrua de 505 kg, alto e musculado com trapio, mas com pouca força. Marcelo cravou dois ferros compridos, um muito lateral e um segundo que resultou muito atrasado porque o toiro caiu no momento da reunião. O toiro apresentou-se demasiado fraco e Marcelo Mendes não cravou mais nenhum ferro, até que finalmente o veterinário mandou sair este exemplar da arena. Como já tinham sido cravados dois ferros, o sobrero não saiu à arena e terminou assim a tarde para Marcelo Mendes.

Seguiu-se Luís Rouxinol Jr. frente ao maior toiro da corrida: um Charrua de 680 kg, bravo e demasiado grande, mas um bom toiro que apesar de todo o peso nunca demonstrou sinais de fraqueza. Tinha a córnea bastante fechada, o que dificultou bastante a pega deste exemplar. Rouxinol entrou em praça com o cavalo Domínguin para cravar dois ferros compridos muito bons em sortes à tira. Para os curtos trouxe Hidalgo, com quem conseguiu cravar bons ferros apesar de um deles ter resultado um pouco deslocado. Cravou ainda um palmito de bom tom e um bom par de bandarilhas. Terminou a sua lide com um ferro de Violino: falhou a primeira tentativa, mas à segunda foi perfeito. Rouxinol Jr. terminou assim a sua temporada em grande. Para este exemplar, o mais difícil da tarde, entrou na arena o GFA de Coruche, com o forcado Fábio Casinhas na cara. Este forcado lesionou-se e teve de ser levado ao hospital, dobrou o forcado Pedro Coelho numa pega consumada à sexta tentativa. Desta vez apenas o cavaleiro deu a volta à arena.

David Gomes esteve frente a um Charrua de 550 kg. Um toiro grande, muito musculado e com trapio. Nos compridos esteve muito bem no primeiro ferro, mas o segundo resultou um pouco atrasado. Esteve bem nos curtos com batidas muito marcadas ao piton contrário, com destaque para o terceiro ferro curto. No quinto ferro, cravado numa sorte à tira, David terminou com uma pirueta em frente ao oponente. A lide terminou com um ferro cravado em sorte de Violino perfeito. Pegou este exemplar o forcado Lourenço Palha do GFA das Caldas Da Rainha, ao segundo intento. Deram volta à arena o cavaleiro, o forcado e o ganadeiro.

Para terminar a tarde, o amador António Telles apresentou-se frente a um Novilho da ganadaria Passanha, de 350 kg. Um novilho bravo e com energia, bastante bem constituído. Esteve muito bem nos ferros compridos, mas falhou o primeiro curto, que resultou num bom ferro na segunda tentativa. Apesar de um pouco atrasados António esteve muito bem na sua lide, garantindo que a família Ribeiro Telles continua a ter futuro na tauromaquia portuguesa. António terminou a lide com um palmito que apenas conseguiu cravar à quarta tentativa, ainda assim, conseguiu transmitir o seu empenho e emoção ao público presente na praça. Para pegar o novilho veio Duarte Manuel do GFA das Caldas Da Rainha, consumando a pega ao primeiro intento. António e Duarte deram a volta à arena.

Terminou assim, uma boa tarde de toiros, que, apesar das ameaças de mau tempo, demonstrou que a afición está muito presente na população do Oeste.

Crónica: ANA SILVA

Fotos: ARMANDO ALVES