Dizem que a vida de um toureiro se mede pela coragem e pela arte.
No caso de Ana Batista, mede-se também pelo tempo e pela resiliência. Há um quarto de século que a cavaleira de Salvaterra de Magos, com o ferro da sua quadra e a sua inconfundível garra em praça, tomou a alternativa.
A carreira de Ana Batista é marcada por uma entrega total à profissão e por importantes atuações internacionais, consolidação e êxito.
O seu primeiro grande desafio foi atuar na Praça de Touros do Campo Pequeno, em Lisboa, aos 16 anos. Numa segunda atuação na mesma praça, destacou-se e recebeu o Troféu Incentivo da Associação Portuguesa de Tauromaquia. Atuou com grande assiduidade em Espanha (1997-1998), chegando a tourear 83 toiros em 1997. Nesse período, chegou a possuir a "Carteira de Profissional" em Espanha, que equivalia em Portugal à categoria de Cavaleiro de Alternativa.A 8 de julho de 2000 na Praça de Touros de Coruche tomou a alternativa tendo como seus padrinhos o cavaleiro Joaquim Bastinhas e a lendária cavaleira Conchita Cintrón. Como testemunhas, teve os cavaleiros António Ribeiro Telles, Rui Salvador, Luís Rouxinol e José Manuel Duarte. Neste ano atuou pela primeira vez na Califórnia (EUA), onde conquistou os prémios de Triunfador da Temporada e Melhor Lide.A sua carreira entrou em fase de crescimento (2002-2003), chegando a realizar 52 atuações por temporada.Em 2011, somou mais de 500 atuações na sua carreira e foi convidada a atuar no México, onde permaneceu durante cinco meses.Em 2013, comemorou os 25 anos desde a sua estreia em público que Atuou pela primeira vez aos 10 anos de idade, a 18 de junho de 1988, na sua terra natal.
Esta temporada 2025, a cavaleira celebrou um marco impressionante, o seu Jubileu de Prata como cavaleira profissional, uma efeméride que a coloca entre os grandes nomes que superaram a prova do tempo e da exigência em praça. Agora, terminada a temporada em que celebrou os 25 anos de dedicação ao toureio, encontrámo-la para um balanço emotivo desta temporada de celebração.
O que representa, para si, celebrar 25 anos de alternativa?
Quando comecei a tourear com 10 nem tinha ideia das exigências desta profissão. Com o tempo, apercebi-me que toda a entrega e todo o esforço que fazemos são compensados com as sensações únicas e as recordações bonitas que ficam para sempre. Por isso, acho que é um privilégio comemorar 25 anos de Alternativa. Vivo a minha profissão com muita intensidade, não sei viver de outra forma. Chegar até aqui é muito gratificante. Mas isso também é possível graças ao apoio do público em geral.
Que balanço faz desta temporada comemorativa e qual é a principal emoção que sente ao olhar para este marco?
Todas as temporadas são um desafio, mas o Inverno que antecedeu a de 2025 e a própria temporada foram vividos de forma diferente. Sonhei com muitos projetos, mas também estava ciente que a responsabilidade seria acrescida. Agora que terminou estou feliz, porque guardo sentimentos e emoções que jamais vou esquecer. Senti-me a gosto e com o "Hermoso" tive atuações que andaram perto do que eu ambiciono todos os dias.
Qual foi a corrida ou o momento destes 25 anos que mais a marcou, seja pela emoção, pela dificuldade superada, ou pela importância na sua carreira?
Em primeiro lugar tenho que estar agradecida a todos os empresários que quiseram assinalar os meus 25 anos de Alternativa. Mas como deve imaginar a homenagem que me fizeram no dia 10 de Maio em Salvaterra de Magos e posteriormente a Corrida do dia 25 de Julho foram dois momentos marcantes. O ambiente e o carinho que senti superaram todas as minhas expectativas.
A corrida em Salvaterra de Magos, o que significou tourear em casa, qual foi o momento mais marcante para si nessa noite e como sentiu a homenagem do público?
Já toureei muitas vezes em Salvaterra de Magos, mas este ano as coisas tiveram um significado especial. Comemorar 25 anos de Alternativa e sentir que, passados todos estes anos, as pessoas nos admiram e respeitam, é muito bonito. Acredite que foi uma motivação para encarar a restante temporada. Lembra-me do que ouvi das pessoas todos os dias.
Qual o papel do cavalo, que é seu parceiro, nesta arte, qual o mais marcante cavalo da sua quadra nestes 25 anos ?
Todos os cavalos são importantes, mas o "Hermoso" tem tido nesta fase da minha carreira um papel fundamental. É um cavalo muito completo, com um momento de ferro fora do normal; com o qual me identifico muito e que me tem dado muitas alegrias. Rezo todos os dias para que Deus nos proteja. É um cavalo que me faz sonhar como poucos...
Qual é o sentimento da "missão cumprida" após este ciclo de 25 anos?
Acima de tudo, uma sensação bonita de realização profissional. Mas também um agradecimento enorme a tudo o que a Tauromaquia me permitiu viver, as experiências únicas, as amizades que ficam para a vida, etc. Hoje não trocava a minha profissão por nenhuma outra.
Que conselho daria à Ana de há 25 anos, se pudesse voltar atrás, e que conselho deixa às novas gerações de cavaleiros e cavaleiras?
O conselho seria o mesmo, que vale sempre a pena correr atrás dos nossos sonhos. O tempo encarrega-se de nos mostrar o caminho, as coisas boas e menos boas desta profissão, mas se acreditarmos em nós, com entrega e dedicação, as portas abrem-se.
26 de dezembro de 2025
Mónica St. Barbára
|