Periodicidade: Semanal - Director: Armando Alves - 07/09/2026.
 
 
CORRIDA EM ESTREMOZ PELO OLHAR DE JOANA LEÃO SELORINDO
CORRIDA EM ESTREMOZ PELO OLHAR DE JOANA LEÃO SELORINDO
06 de Setembro de 2026





Noite de nostalgia na praça alentejana

Estremoz, 4 de setembro - corrida integrada nas festas da Exaltação de Santa Cruz.

“Se achas Lisboa grande, o Alentejo ainda é maior.”

Noite quente, ambiente agradável e grande expectativa para esta noite que contou com mais de 3/4 de casa, que nem a chuva demoveu.

Abriu praça o cavaleiro Luís Rouxinol.

Andou regular, numa lide sem grande emoção, a citar de largo, com pouca resposta do oponente, que se mostrou sempre reservado.

Já no seu segundo toiro (4º da noite), teve uma lide semelhante, morna, marcada por ferros ao estribo sem grande emoção.

Para a cara deste primeiro toiro foi o forcado Rui Branquinho do RGFA Moura, que consumou ao segundo intento.

Já o 4º toiro da noite foi pegado pelo mesmo grupo, numa pega consumada à segunda tentativa pelo forcado João Manuel Ferreira.

Seguiu-se Manuel Telles Bastos para o segundo toiro da noite, um toiro distraído, com grande querença nas tábuas e reservado.

Manuel, com a classe a que já nos habituou, deu-lhe a volta e aproveitou as suas acometidas da forma que pôde. Numa lide bem conseguida e a chegar ao público.

Já no seu segundo, e quinto da noite, tivemos um Manuel a desfrutar do toiro, a citar de longe e a cravar com verdade.

De salientar a forma irrepreensível com que apresentou os seus cavalos.

Pelo grupo de Arronches pegou o segundo toiro, à primeira, o forcado João David Cunha, numa pega limpa e bem consumada.

Pega vencedora do concurso de pegas.

O 5º toiro coube ao mesmo grupo, foi David Pernas que foi para a cara deste toiro. Pegou à primeira, numa pega sem grande dificuldade.

Seguiu-se Francisco Cortes que andou correto no seu primeiro toiro e subiu de tom no seu segundo. Arriscou nos terrenos do toiro, mostrou-se senhor de ferros bonitos e com toureria, que fizeram vibrar a aficion da sua terra.

E por falar em gentes da terra, este toiro foi destinado à despedida do forcado Estremocense Dinis Pacheco, que brindou a pega ao seu grupo e à sua família.

Forcado sobejamente conhecido na cidade e no meio, citou, fechou-se bem, aguentou duros derrotes e faltou grupo para reunir e consumar.

Acabou por ser colhido e dobrado pelo forcado Nuno Ramalho, que consumou à segunda tentativa do grupo.

Para a cara do último toiro da noite foi Luís Vieira, que consumou à segunda tentativa.

Numa pega que acabou reunida com elementos dos vários grupos.

Os toiros na generalidade, mostraram-se difíceis, especialmente nas pegas, a arrancar com muita pata e a dar duros derrotes.

E a crónica já vai longa, não queria, no entanto, deixar de destacar o forcado da terra, de que falei e que se despediu das arenas nesta noite. O forcado Dinis Pacheco não teve a noite sonhada, nem sequer merecida.

No final da corrida tive oportunidade de lhe fazer algumas perguntas para eternizar o momento aos nossos leitores:

-“Com que palavra define estes mais de 25 anos de entrega a esta jaqueta ?”

-“Orgulho.”

-“O momento que mais o marcou em praça?”

-“A colhida do Manel Trindade o ano passado, no Campo Pequeno, numa corrida em que Monforte também pegava.”

-“Uma pega ?”

-“A de hoje. “

-“Uma praça de toiros ?”

-“A de Estemoz.”

-“E a emoção que prevalece no dia de hoje?”

-“Nostalgia.”

Fardou-se pela primeira vez a 19 de maio de 2001 em Monforte.

Foram mais de 25 anos em que envergou a jaqueta do GFA Monforte.

E é um exemplo de forcado que ficará certamente na história dos grandes.

E é deste espírito e entrega que a nossa festa começa a acusar escassez.

Deixo para reflexão.

6 setembro 2026

Joana Leão Selorindo