Periodicidade: Semanal - Director: Armando Alves - 07/09/2026.
 
 
CAMPO PEQUENO ÀNTIGA PORTUGUESA
CAMPO PEQUENO ÀNTIGA PORTUGUESA
07 de Setembro de 2026





Campo Pequeno encerra temporada com noite de tradição e emoção
O Campo Pequeno despediu-se da temporada, na noite de 4 de setembro, com uma Corrida de Gala à Antiga Portuguesa marcada pela tradição, pela emoção e pela mudança de cabo dos Amadores de Lisboa. Perante uma praça muito bem composta, lidaram-se sete toiros de António Raul Brito Paes, num cartel de sete cavaleiros, tendo Miguel Moura sido o grande protagonista da noite. Diante do quarto da corrida, entrou em sorte de gaiola e, desde o primeiro comprido, impôs um toureio de mando, temple e personalidade. Soube dar as distâncias, conduzir o toiro e ligar as sortes com naturalidade, destacando-se particularmente nas bandarilhas, numa lide que foi crescendo em intensidade e que acabou por se afirmar como a mais redonda da função. João Moura Caetano, a comemorar vinte anos de alternativa, deixou também uma prestação de bom nível, assente no temple e na qualidade da brega, numa atuação apenas ensombrada pela aparatosa queda sofrida já na fase final, felizmente sem consequências de maior. António Telles filho mostrou boas maneiras e personalidade, enquanto Tristão Ribeiro Telles fechou a corrida com alegria e quiebros que encontraram eco nas bancadas. Ana Batista e Duarte Pinto cumpriram com correção, ao passo que Joaquim Brito Paes teve uma passagem mais irregular.
A noite teve ainda uma forte componente de homenagem e memória. Depois das cortesias à Antiga Portuguesa e de um minuto de silêncio em memória de elementos já falecidos dos Amadores de Lisboa, o intervalo ficou marcado pela homenagem ao Padre Vítor Melícias, figura incontornável da sociedade portuguesa e reconhecido defensor da tauromaquia. A distinção, promovida pelos empresários do Campo Pequeno, ganhou particular significado por ocorrer no ano em que a União das Misericórdias Portuguesas assinala meio século de existência.
Nas pegas, a noite teve outro momento de grande carga simbólica: Pedro Maria Gomes despediu-se da chefia dos Amadores de Lisboa com uma pega à primeira tentativa e entregou a jaqueta a Duarte Mira, que iniciou o seu novo ciclo como cabo do histórico grupo lisboeta com uma pega ao segundo intento. No conjunto, uma corrida de ambiente forte e de grande significado, em que a memória esteve presente em vários momentos, mas onde foi o toureio de Miguel Moura a deixar a marca mais profunda, apontando com autoridade para o futuro da tauromaquia a cavalo.
 
Concha Vasconcelos
06/09/2026