Talavante, Emilio de Justo e Roca Rey encerram a Feira de Olivenza
Grande expectativa numa tarde de figuras frente aos touros de Victoriano del Río.
A Feira de Olivenza encerrou com uma corrida de grande cartel que reuniu Alejandro Talavante, Emilio de Justo e Roca Rey, frente a um encierro de Victoriano del Río, numa tarde marcada pela expectativa e pela presença de três figuras do escalafón.
Alejandro Talavante abriu praça com um touro que, apesar de bem apresentado, revelou alguma irregularidade no seu comportamento. O diestro extremenho recebeu-o com o capote desenhando verónicas de grande suavidade, já com a muleta, Talavante procurou o toureio profundo e artístico que o caracteriza, deixando momentos de grande expressão sobretudo pelo pitón direito. Ainda assim, a falta de continuidade do astado acabou por limitar o desenvolvimento da faena. No segundo do seu lote, Talavante apresentou-se mais inspirado e com o capote voltou a deixar lances de grande estética, na muleta, construiu uma faena baseada na cadência e na pureza das formas, o público respondeu com entusiasmo aos momentos mais templados e de risco do seu toureio, reconhecendo a qualidade artística do diestro na sua atuação
Emilio de Justo enfrentou em primeiro lugar um touro exigente, perante o qual mostrou desde cedo a sua habitual firmeza, o torero cacereño esteve decidido e mandão, procurando sempre dominar as investidas do seu oponente. A faena de muleta teve entrega e profundidade, com séries ligadas que chegaram com emoção às bancadas. No segundo do seu lote, Emilio de Justo encontrou um touro com mais matizes, mostrou-se seguro e confiante, construindo uma faena de grande intensidade, baseada no mando e na colocação. As suas séries tiveram ligação e transmissão; ao entrar a matar foi violentamente colhido e passeou a orelha visivelmente combalido, sendo reconhecido o seu toureio pelo público de Olivenza.
Andrés Roca Rey voltou a demonstrar o seu enorme poder de comunicação com os tendidos. No primeiro do seu lote apresentou-se decidido desde os primeiros momentos da lide, apostando num toureio de grande intensidade. A faena teve emoção e entrega, com muletazos justos. Frente ao seu segundo oponente, Roca Rey voltou a mostrar a sua habitual determinação. O diestro peruano construiu uma faena sóbria, pisando terrenos de compromisso e impondo o seu conceito diante de um touro com pouca fijeza.
Quanto aos touros de Victoriano del Río, apresentaram boa apresentação e comportamento interessante, permitindo momentos de interesse aos três espadas.
Assim terminou a Feira de Olivenza, uma vez mais marcada pela presença de grandes figuras e pelo entusiasmo do público, confirmando o papel desta praça como um dos principais palcos do arranque da temporada taurina em Espanha.
Ficha do festejo:
Alejandro Talavante: silêncio, duas orelhas com petição de rabo.
Emilio de Justo: duas orelhas, orelha,
Andrés Roca Rey: duas orelhas, ovação.
10 março 2026
Lucas Fagundes
|