Periodicidade: Semanal - Director: Armando Alves - 15/06/2026.
 
 
CRONICA DA CORRIDA DE SANTARÉM
CRONICA DA CORRIDA DE SANTARÉM
14 de Junho de 2026

Dia de Portugal com triunfo e emoção em Santarém

Dia de Portugal com triunfo e emoção em Santarém

A corrida mista na Celestino Graça juntou tradição, competição e entrega, com Moura Jr. em plano de destaque e os forcados a corresponderem em praça.

A Monumental Celestino Graça voltou a abrir as suas portas, numa das datas maiores do calendário nacional, para receber a tradicional corrida do Dia de Portugal. Inserida no ambiente da Feira Nacional da Agricultura, a praça escalabitana registou cerca de três quartos de entrada, numa tarde marcada por expectativa, solenidade e forte ambiente taurino.

O cartel reunia os cavaleiros João Moura Jr.   João Ribeiro Telles, e o matador espanhol Juan Ortega, os grupos de forcados amadores de Santarém e Montemor, e toiros das ganadarias António Raul Brito Paes, para cavalo, e Calejo Pires, para a lide apeada.

Antes de se abrir praça, cumpriu-se o momento protocolar da data, com o Hino Nacional a soar na Monumental, num ambiente carregado de simbolismo e respeito.

João Moura Jr. mostrou, desde cedo, ao que vinha e desenhou uma tarde triunfal frente a dois excelentes toiros de António Raul Brito Paes, ganadeiro que foi chamado à praça em ambos; iniciou as suas lides com duas sortes de gaiola de bom efeito, Moura Jr. apresentou-se templado e ajustado, com boas batidas ao piton contrário e remates a duas pistas de valor. Mas o melhor ainda estava por vir. Frente ao seu segundo, transcendeu-se. O segundo curto foi daqueles ferros que não existem palavras que consigam descrever em plenitude o que ali se sentiu, a dar todas as vantagens ao bravo toiro, com uma reunião perfeita e a cravar de alto a baixo. Foi um momento que certamente ficará na história da temporada. A sua atuação, de uma forma geral, conquistou um público entregue e completamente rendido ao que ali se tinha passado, uma tarde histórica.

João Ribeiro Telles apresentou-se seguro e disposto, porém os toiros que lhe tocaram, não sendo maus, não transmitiram o que os seus outros dois irmãos de camada transmitiram. Frente ao seu primeiro andou correto, mas a lide acabou por não romper, já no seu segundo a sua lide tomou outras proporções, praticou um toureio emotivo, a pisar terrenos de compromisso e de valor e terminou com um bom ferro de palmo.

Do outro lado da fronteira veio o matador de toiros Juan Ortega, que se apresentava em Portugal pela primeira vez. Lidou toiros-novilhos da ganadaria Calejo Pires, ambos assobiados pela falta de trapio. No seu primeiro não houve história, tendo cumprido dentro das possibilidades. Já com o segundo, de maior qualidade, mas voluntarioso, houve momentos de toureio artístico, como nos tem habituado o diestro sevilhano, praticando um toureio de corte fino e requintado, com bons pormenores.

No capítulo das pegas, uma rivalidade saudável já antiga, Santarém versus Montemor, por Santarém pegaram Francisco Cabaço e Caetano Galhego ambos ao primeiro intento, destaque para a segunda pega com uma excelente primeira ajuda chamada a praça.

Pelo grupo alentejano pegaram José Maria Cortes Pena Monteiro e Vasco Ponce ambos também a primeira tentativa com duas boas pegas.

Dia 10 de junho é também dia de Camões, e o que viveu a ganadaria António Raul Brito Paes pode ser considerado uma epopeia, um poema épico escrito a letras de ouro nas páginas da ganadaria pelos toiros saídos em primeiro e quarto lugar, bravos, alegres, com tranco e a transmitir. Dois toiros de vacas.

14 junho 2026

Lucas Fagundes